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    December 13

    Uma tarde de muito frio

    Mais um fim-de-semana prolongado mais uma oportunidade para ir à faina, mas os dias têm sido cinzentos, chuvosos e repletos de vento, logo parece que o tempo não quer ajudar.

    Entro na net e vejo as várias previsões nos vários sites especializados, depressa chego à conclusão que Sábado de tarde, dia 9 de Dezembro, vai dar molhar os anzóis. Assim organizo tudo para que nessa tarde dê para dar uma escapadinha até um pesqueiro qualquer. Decido então ir até a zona poente de Albufeira onde existem vários pesqueiros de falésia a baixa altitude.

    Chegada a hora, começo a preparar 2 kilitos de sardinha para o engodo, arranjo uns ralos e uns camarões e toca a mexer que se faz tarde, não à vento e o sol brilha, mas o frio aperta diz-me que calor é tudo o que não vou ter hoje. Pelo caminho começo a pensar onde recairão os meus lançamentos e depressa me decido pelas falésias de São Rafael.

    Após chegar ao local reparo que muitos colegas de vício também escolheram esta tarde para tentar a sua sorte, é então que me decido onde me vou dirigir exactamente. O pesqueiro escolhido é constituído por uma ponta de pedra onde os sargos gostam de mariscar, veremos se estão lá hoje. Meto conversa com um local que me diz que os seus anzóis vêm limpos mas peixe em terra nem vê-lo: “Fiz vários lançamentos na praia, e nada, nem eu nem ninguém, pelo menos que eu tenha visto. Eles comer até comem, mas estão a fazê-lo de faca e garfo…” dizia-me este homem, ficando logo com a pulga atrás da orelha. Chego ao pesqueiro e começo a fazer um baldinho de engodo, a maré sobe e as águas estão tapadas mas não da cor desejada. 

    Após os primeiros lançamentos reparo que o peixe está lá, mas existe muita miudagem. Colher a colher o pesqueiro vai sendo feito, vão saindo alguns sargotes pequenos, a maioria têm mesmo de ser devolvidos à água. Noto que muitos desferram e penso para mim: “Eles não estão a comer de faca e garfo estão é a comer com pauzinhos chineses”.

    À medida que o tempo vai passando, vou mudando de montagem, pesco cada vez mais fino até que ferro 2 ou 3 bons peixes mas todos eles desferram. O pessoal nos pesqueiros em volta diz o mesmo: “Eles picar picam, não fica é nenhum!!!”

    Passados alguns minutos lá tiro um sargo bom mas assim que lhe jogo a mão para lhe tirar o anzol cai, vá lá que foi já cá em cima. Foi apanhado apenas pelos lábios superiores, mais um pouco e ficava a fazer companhia aos outros, por aqui se vê como estavam as comer. O tempo vai passando, os ralos vão-se acabando e o peixe vai colaborando apesar dos maiores estarem muito finos. Mesmo ao acabar da pesca ferro outro bom, trabalho o peixe até o trazer à tona d’água mas mais uma vez vai embora.

    O Saldo final até não é mau, levo meia-dúzia de Sargos e um Bodião e muito peixe foi devolvido, o sol já se esconde e o frio é cada vez maior. Começo então arrumar com a certeza que tenho de lá voltar, pode ser que noutro dia eles estejam mais esfomeados.

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    December 04

    Iniciar Dezembro na Faina

    Dia 1 de Dezembro, feriado, o mesmo é dizer dia de FAINA. Acordo bem cedo, às 6 da matina tenho de estar em Portimão para me encontrar com os meus amigos Meco e Zé. O caminho de hoje vai levar-nos até à Costa Vicentina.

    Já todos juntos, fazemos a habitual paragem para o cafezinho na área de serviço de sempre, e como não podia deixar de ser, a esta hora, em cada 20 pessoas que aqui entram 19 são pescadores a caminho da Vicentina. Entre eles encontramos amigos, O Roger e o Pica, que já estão de abalada e também vão à procura dos nossos amigos Sargos, a diferença é que eles já sabem onde os procurar, nós não.Com o cafezito tomado, lá decidimos apontar baterias para o famoso Treme-Treme em Aljezur.

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    Entre dois dedos de conversa, o tempo passa a correr e já estamos a chegar ao pesqueiro. Ainda de longe o mar parece mais parado do que esperávamos e logo soa um: “O Mar tá parado!!!!! Já tamos lixados….”, mas como a observação do mar não deve ser feita à distância, com o aproximar da falésia lá nos apercebemos que o mar até mexe.

    O local onde se deixa os carros diz-nos que os pesqueiros mais devem parecer uma feira, mas tem de haver um cantinho para estes três amigos. Saímos do carro e observamos o mar e os colegas que já tentam a sua sorte. Peixe nem vê-lo, não se vê nada. Ninguém tira nada e ainda nem começamos a faina e já estamos a pensar em mudar de sítio. Conferenciamos e decidimos ficar, até porque um dos melhores cantinhos para engodar está livre.

    Começamos a montar o material e logo começam a sair os primeiros sargotes. São pequenos mas dão para animar a malta, o Zé, o mais inexperiente nestas andanças da pesca à bóia, logo se começa a aperceber da beleza da modalidade e também ele se começa a viciar nesta técnica. Entretanto aparece o meu amigo Ferreira, conhecedor da área, também ele vem à procura “deles”, mas pelo que vejo a sua pesca vai ser feita à chumbadinha.

    Os sargotes continuam a pingar mas de repente tenho de soltar um: “Epá pede lá aí um cesto….” ao qual oiço logo a resposta do Meco: “Cesto para quê, para tirares o fundo????”.Mal sabiam eles o que tinha no anzol, volto a dizer: “Olha lá, traz lá a m…. do cesto, já viste alguma vez o fundo a andar????...” era um menino "pequeno", daqueles que nos move e faz palmilhar km e km atrás deles. Quando chega à tona d’água o Zé entoa logo “Belo Bicho, Belo Bicho!!!” mas entre o trabalhar do peixe e a montagem do cesto, algo se parte. O desânimo possui-me o corpo todo. A azia é tanta que nem que tomasse uma caixa inteira de “Rennie” ela passava.

    Recolho a bóia e vejo que ainda tenho tudo……esquisito, afinal de contas o anzol também vem??? Veio mas partido, perder um peixe daqueles porque o anzol partiu??? O desânimo é ainda maior, tou a pescar com 0.20mm no estralho e não parte, vai partir-se a porcaria do anzol logo atrás da barbela, "Olha que é preciso ter azar"……Era um belo sargo, uma autêntica tábua, daqueles que carinhosamente apelidamos de FUMADORES, tal é a sua dentição escura. Enfim lá continua a velha teoria, “Umas vezes é do peixe, outras do pescador” pior é que ultimamente comigo calha sempre para o peixe e não para o pescador.

    Continuamos a pesca na esperança de ferrar outro igual mas nada. Ainda aparecem nos meus anzóis dois robalotes e uma douradita que prontamente devolvi à água devido às suas pequenas medidas.

    São agora três e meia da tarde, o mar cresce e a maré está cada vez mais vazia, o peixe já raramente aparece, tá na hora de começar a limpar e arrumar. O dia foi excelente, o convívio do melhor para não variar, houve muito peixe apesar de pequeno, só pecou mesmo por aquele “magano” não ter colaborado e não ter vindo para dentro do balde, mas, enfim melhores dias virão e melhores anzóis também….