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    April 24

    A despedida do MILENE

    Mais um dia, mais uma faina a bordo do MILENE, provavelmente a minha última saída nesta embarcação que tantas alegrias me tem dado, isto porque irá ser substituída pelo SIMBA, um cabinado QuickSilver de 6.5m. Espero que a nova barcaça me dê tantos ou mais dias de puro prazer com o MILENE me tem dado.
    Assim agendámos a saída para domingo, dia 22 de Abril, e como as condições climatéricas ajudavam, decidimos zarpar em direcção às águas de Alfanzina, zona emblemática da “minha” freguesia de Carvoeiro.

    Saímos ainda o sol nasce, a equipa hoje é composta por mim, pelo Jacinto, pelo Zé “Mijão” Ribeiro e o pelo Zé Luís Costa, e após alguns minutos a deslizar pelas calmas águas Algarvias, fazemos uma primeira poitada onde tiro logo uma bica pequena. Passado muito pouco tempo somos “obrigados” a procurar novo poiso, isto devido à presença de um profissional que levanta as suas redes, facto que faz alvorar o pouco peixe que aqui se encontra.

    Navegamos então ainda mais para Poente e toca a jogar ferro de novo num local onde sonda marca muito peixe. A poitada revela-se de novo fraca, o muito peixe que por aqui existe é maioritariamente choupa miúda que nem deixa o restante peixe comer. Então como todos nós somos rígidos no que toca ao cumprimento das medidas mínimas do pescado, decidimos “dar cabo” para ver se na ponta da pedra o peixe “cresce”, afinal a frase que mais se ouvia era: “Já tou farto de jogar peixe à água”. O peixe cresce mesmo, e lá começam a sair boas safias entre outros peixes, mas foi sol de pouca dura. Toca a levantar ferro e refazer a poitada uns metros mais adiante. O peixe não é muito, mas de bom tamanho, eu chego mesmo a tirar um carapau lindo o qual deve ter uns dois palmos. O Zé Luís anda “furioso” farta-se de perder madres no fundo e cada vez que isso acontece solta-se logo um “Piiiiiiii”, desculpem mas não posso revelar, fica à vossa imaginação. Nisto ferra um bom peixe que dá uma arrancada daquelas, mas após um “pequeno” erro deixa o peixe ir à pedra… Enfim, tá mesmo em dia não, e toca a mudar de madre outra vez. Eu também ferro dois peixes bons (talvez bicas) mas ambos não querem nada comigo e desferram. O peixe come mal, mas lá vai saindo um peixe aqui outro ali.

    Decidimos então rumar mais a Nascente para fazer uma outra poitada. A aguagem é forte e o peixe difícil de ferrar mas tal local veio a revelar-se na melhor poitada do dia. A choupa era muita, mas ao invés do que já se sucedera, aqui já apareciam de bom tamanho, pena que a maioria andava na casa dos 21/22 cm, e claro toca a voltar de novo à água. Após “aproveitar-mos” a fome das choupas toca a almoçar que se faz tarde. Após o repasto, toca a colocar de novo os anzóis na água e é então que eu tiro a bica do dia, a qual dá um gozo enorme, tais as investidas da menina. Nisto a choupa volta em força e toca aproveitar, mas no meio de tanta choupa lá sobrou uma bica para o Zé Ribeiro. Mais para o fim do dia lá começam a pingar uns besugos para compor o ramalhete, mas faltava ainda o Mijão dar o ar da sua graça, e não é que deu mesmo. Mesmo ao cair do pano lá lhe calha um Sargo Veado, enfim já estamos habituados.

    Fica assim para a história a minha despedida do MILENE, com uma pesca que adorei: pessoal 5 estrelas, mar bom e peixe muito técnico o que ajuda sempre a evoluir. Não se esqueçam de dar uma olhadela nas fotos.

     

    April 10

    Férias sinónimo de FAINA

    Pois é, o momento porque todos os anos esperamos chegou (pelo menos uma parte), as Férias. Uma semanita para descontrair e como não podia deixar de ser para matar o vicio da Faina. Pior é que se passaram num instante, mas fazer o quê? Temos é de gozar ao máximo estes momentos. Os primeiros dias são para me deliciar com a passagem do Rally de Portugal (outra das minhas paixões) por terras Algarvias, depois decido que se o tempo deixar, irei dia sim dia não à Faina, nada mal .
    Pois bem, em termos de faina, as mini-férias começam logo com a minha estreia em provas federadas, a 1ª Mão do Campeonato Nacional de Pesca Embarcada da 3ª Divisão - Zona Algarve. A prova disputar-se-ia entre 8:30 e as 14:00 do dia 1 de Abril mas devido às condições meteorológicas (ou melhor, a quem não as aguentou) teve o  seu termino por volta das 11:20. A prova em si não me corre mal, mas o peixe foi muito pouco, tão pouco que houve até quem não conseguisse levar um único peixe à pontuação. Eu faço o 2º lugar do meu barco (em 11) e não consigo melhor classificação pois o 1º classificado tem na sua posse um lindo pargo, que não só é dos peixes mais pontuados, como o seu tamanho implica bonificação. Mesmo assim para quem se estreava, penso que não me saí lá muito mal.
    Depois dia 3 de Abril o tempo não quer ajudar, mas mesmo assim resolvo ir até Albufeira para explorar novos pesqueiros. O isco será só aquele que tenho no congelador. Trato das minhas coisas, levo o miúdo ao infantário e faço-me à estrada. Quando chego vejo que as condições não são as melhores, o mar é demasiado calmo, as águas muito limpas e o vento parece querer começar a apertar. Mesmo assim não tenho nada a perder, nem mais nada para fazer, então toca a meter a bóia dentro de água. Ando de sitio em sitio a experimentar novos sítios, novos materiais e até novas montagens. O produto da pesca é fraco como seria de esperar, mas deu para tirar umas conclusões. Uma coisa muito engraçada que me aconteceu neste dia, foi que, à medida que ia tirando uns peixitos ia-os colocando numa poça ali perto para os devolver no final, então não é que as gaivotas paparam tudo... até 3 ou 4 sardinhas que tinha deixado à parte foram.... Lá ficaram um pouco mais gordas. No fim de contas foi positivo, pelos menos foi mais um dia para "limpar" a cabeça.
    5ª Feira, dia 5 de Abril, estava agendada uma pesca a bordo do MILENE, barco do meu amigo Zé Luís Costa, na companhia do Meco e do Monteiro. A Previsão não era muito boa, pois a previsão dava vento durante a manhã, mas pior de tudo é que o Vento foi durante a manhã, a tarde.... conclusão, pouco peixe e uma granda molha no regresso. Apesar de pouco peixe, ainda deu para sair 1 bica a cada um excepto a mim que fui contemplado com um sempre lindo Sargo Veado.
    Depressa chegamos a Sábado, dia 7, e toca a aproveitar a última faina destas mini-férias. O destino é outra vez o Alto-Mar abordo do Milene, mas desta vez saem connosco o Zé Ribeiro e o Jacinto. Navegamos direito a uma pedra descoberta ao acaso no ano passado, mas assim que lá chegamos deparamo-nos com um barco de profissionais, os quais nos dizem logo que ali tá cheio de "aparelhos", para nossa tristeza ou talvez não, rumamos um pouco mais à ESTE, onde temos uma outra pedra marcada. Bendita à hora que mudamos para este local.
    Assim que chegamos tiro logo um parguete ao 2º lançamento, depois o "mijão" do Zé Ribeiro, como não podia deixar de ser, tira logo outro, este já na casa do kilo e qualquer coisa. Depois a mestria, e não só, veio ao de cima, o Zé Luís parece que mete engodo no síto onde coloca as suas montagens e num espaço de hora e meia tira 3 pargos e 2 bicas, enfim...... A mim só me calha garoupas, são umas atrás das outras e o Zé Ribeiro lá tira mais uma bica. O Jacinto anda às aranhas, nem garoupas lhe calha. O Zé Luís é sempre a dar-lhe, safias, choupas intercaladas com os peixes já anteriormente referidos.
    Eu e o Zé Luís estamos à popa e temos uma 2ª cana para o peixe de marca maior. A minha de repente dá sinal, seguro nela e digo: "Tá cá um" mas assim  que digo isto sinto duas valentes "cabeçadas" e ....tchau até mais. Não era hoje que tinha que morrer, largou o anzol e foi-se embora. No meio de amena cavaqueira o Zé Luís ferra outro, este por sinal Pai ou Avô dos outros todos, tal a linha que levava e a força que fazia, mas acontece-lhe o mesmo, o homem fica completamente desalentado, apenas dizendo: "É que nem o consegui descolar do fundo...". Nisto e de um momento para o outro o peixe desaparece, ainda insistimos na esperança de ter entrado peixe graúdo, mas como temos duas canas com montagens fortes lá em baixo e nem sinal dão, parece que o peixe abalou mesmo, à que rumar a outras paragens. A fuga dos dois últimos exemplares estragaram o pesqueiro, mas enfim, não nos podemos queixar. Rumamos agora mais a terra, os besugos estão no meu bordo, os quais tento aproveitar ao máximo, tendo que deixar o almoço para mais tarde. O Jacinto lá se encontra consigo próprio e tira uma bica, depois o Zé Luís outra (já tinha pouco peixe....) e finalmente eu tiro também uma de bom tamanho. Entretanto o peixe começa a falhar denovo e começamos a ouvir muita trovoada em terra e a verificar que por lá as coisas estão a ficar "negras", decidimos então rumar a terra, apesar de estar ainda um sol maravilhoso no mar. Não queremos que "aquele" tempo chegue perto de nós quando estamos a umas quantas milhas da costa. Assim rumamos a terra na convicção que com os amigos os dias são sempre bem passados, muito mais quando metem FAINA!!!!
     
    Ficam aqui uns mini-videos para adoçar a boca: